O assassino de Vanessa, Caio Nascimento Pereira, já tinha 11 registros por violência doméstica. Desde 2020, ex-companheiras relataram agressões, ameaças e perseguições
A morte da jornalista três-lagoense Vanessa Ricarte, de 42 anos, assassinada pelo ex-noivo no último dia 12 de fevereiro, contou com uma repercussão nacional e trouxe à tona falhas no atendimento a vítimas de violência doméstica e motivou uma mobilização de autoridades em Mato Grosso do Sul.
Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), se reuniu com o alto escalão de sua gestão para discutir medidas mais eficazes no combate à violência contra a mulher, na noite deste domingo (16), na sede da Governadoria, localizada no Parque dos Poderes, em Campo Grande.
De acordo com o Ministério das Mulheres, o percurso de Vanessa até sua casa não poderia ter ocorrido sem a escolta da Patrulha Maria da Penha, segundo o protocolo de avaliação de risco para mulheres em situação de violência e que orienta o atendimento na Casa da Mulher Brasileira.
MEDIDAS PREVENTIVAS
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Uma nova reunião está marcada para terça-feira (18), às 9h, na Assembleia Legislativa, com representantes de diferentes instituições. O objetivo é discutir medidas preventivas, repressivas e educativas para reduzir os índices de feminicídio. Ainda nesta semana, o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, deve anunciar mudanças na estrutura de proteção às vítimas.
Falhas no atendimento serão relatadas ao governo federal – A Comitiva do Ministério das Mulheres, que chegou a Campo Grande no domingo (16), constatou que a Casa da Mulher Brasileira precisa de melhorias. O grupo se comprometeu a elaborar um relatório sobre o atendimento prestado às vítimas na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e na Casa da Mulher Brasileira, que será enviado à ministra Cida Gonçalves e a outras autoridades nacionais.
HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA E FALHAS NA PROTEÇÃO
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O assassino de Vanessa, Caio Nascimento Pereira, já tinha 11 registros por violência doméstica. Desde 2020, ex-companheiras relataram agressões, ameaças e perseguições. Uma delas precisou de atendimento médico após sofrer queimaduras no rosto e nos braços. Outra ex-namorada solicitou medidas protetivas em 2024, alegando que Caio não aceitava o fim do relacionamento e fazia ameaças.
Vanessa havia procurado a Deam na madrugada do dia 12 de fevereiro, acompanhada de um amigo, para registrar um boletim de ocorrência por agressão e pedir uma medida protetiva. Horas depois, ao voltar para casa para buscar seus pertences, foi assassinada com três facadas no tórax.
REPERCUSSÃO NACIONAL
O caso gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a eficácia das medidas protetivas e o atendimento oferecido às vítimas. A falta de escolta para mulheres em situação de risco também foi criticada.
O governo de Mato Grosso do Sul anunciou que construirá três novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, em Ponta Porã, Dourados e Corumbá, para ampliar o atendimento. Desde a inauguração da unidade da capital, há 10 anos, já foram registrados mais de 80 mil boletins de ocorrência no local.